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CLUBE DE LEITURA NA ESCOLA | 2020/2021

Reflexão pessoal sobre uma das obras lidas: “Se Isto É Um Homem”, de Primo Levi.





A obra “Se Isto É Um Homem”, escrita por Primo Levi, encontra-se subdividida em 17 capítulos, na qual o autor relata o período em que viveu no campo de concentração de Auschwitz, descrevendo assim o período mais desafiante da sua vida. Desde logo cativou-me o prefácio do livro, no qual através de um poema o autor pede ao leitor para refletir na tranquilidade e no conforto com que vive a sua vida e que depois a compare com tudo o que irá ser descrito ao longo desta obra e assim, se pergunte se isto é um Homem, pois página a página é possível assistir à desumanização progressiva vivida por Levi e demais prisioneiros e à brutalidade que conquista, dia após dia, o espaço que se julgava inviolável e pertencente ao Homem. Despojados de tudo, da sua vida quotidiana, da sua identidade, da possibilidade de se cuidarem como Homens, vão sendo progressivamente aproximados a animais, ressaltando a sobrevivência animal que lhe vem inerente. Assim,o autor utiliza inúmeras vezes o recurso expressivo apóstrofe, como também ele próprio pede ao leitor para pensar por si próprio, como no excerto seguinte: “Queríamos agora convidar o leitor a refletir sobre o que podiam significar no Lageras palavras «bem» e «mal», «justo» e «injusto» (...)” (Primo Levi, 2018, p.102).Ao longo da obra, para além de ser descrito todo o dia-a-dia de um prisioneiro, os trabalhos a que são sujeitos, a sua “alimentação”, maus tratos, são ainda relatados os sonhos que Levi tinha durante a noite, onde se encontrava sentado à mesa com amigos e família, já que a fome era a sua principal preocupação, “somos fome viva” (Primo Levi, 2018, p.88). Como também transmite aos leitores, os pensamentos e os diálogos interiores que tinha consigo mesmo. Reflete sobre sobreviver, sobre o que um Homem perde ao passar por um trauma como este, como também sobre a condição humana. Este menciona que não vale a pena especular sobre o futuro, pois isto apenas o levaria a atormentar-se desnecessariamente. Assim, a atitude a adquirir é encarar cada acontecimento com otimismo, até mesmo o simples facto de não estar vento naquele dia e assim não ser tão difícil trabalhar ao frio. Este pensamento ajudava-o a sobreviver com lucidez, tanto quanto é possível numa situação destas.

Assim, durante a leitura, confesso que tive uma “relação de amor ódio”. Quando o estava a ler queria tomar conhecimento deste tema tão marcante da história da Humanidade, no entanto quanto mais lia mais me apercebia do horror que milhões de seres humanos tiveram de passar. Por isso, admiro o autor por conseguir expressar aquilo que viveu com um certo “entusiasmo”, proveniente do seu otimismo. Outro ponto a destacar é a sua forte capacidade de descrição, sem esquecer pormenores como o nome e as personalidades de muitos dos seus companheiros, permitindo assim ao leitor envolver-se nesta narrativa com uma excelente, pormenorizada e acessível escrita. No entanto, é importante realçar e ressalvar que por muito que eu ou qualquer pessoa leia e pesquise sobre o tema Holocausto nunca irá compreender e entender verdadeiramente a dor a que estas pessoas foram sujeitas. Nunca iremos perceber como é ser um Homem reduzido ao sofrimento e à carência a que lhe foi tirado a sua própria dignidade. Tenho apenas um defeito a apontar, pois devido à tradução, ao longo da obra ficaram presentes inúmeros termos, falas e expressões em francês e alemão, por isso em alguns segmentos do livro tornou-se mais complicado compreender o sentido das mesmas. Concluindo, na minha opinião, este livro é um testemunho importantíssimo, escrito com uma crueza admirável, sobre a prova da desumanização que Levi relata como essencial à sobrevivência. Assim, recomendo-o a todos os que se interessam por este tema.


Beatriz (12º ano)

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